“cultura de cumplicidade”

Rui-Ramos-300x300«A propósito dos abusos sexuais do produtor Harvey Weinstein, discute-se agora na América a “cultura de cumplicidade” que o teria protegido durante anos. Não deveríamos nós estar a discutir a “cultura de cumplicidade” que parece haver à volta da corrupção e do abuso do poder na democracia portuguesa? Uma cultura feita de indiferença ética, de comunhão na ganância e de um sentimento de impunidade alimentado, de alto a baixo, pela promiscuidade no Estado, pela dificuldade de provar estes crimes e por votações como as de Oeiras.

A justiça dirá se alguém merece multas e prisões; a política deveria dizer outra coisa: se alguém ainda merece a nossa confiança. Não podemos esperar por 2030. A História os julgará? Mas essa é a prerrogativa dos ditadores, como o general Franco, que, enquanto caudilho de Espanha, “só respondia perante Deus e a História”. É assim que os nossos oligarcas também já pensam: que só a História os poderá julgar?» (daqui)

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onde está a ética?

alexandre-homem-cristo«Em Portugal, resiste uma certa dificuldade em compreender esta lição elementar: o regime tem de manter uma dignidade moral e quem ocupa cargos públicos tem de estar acima de qualquer suspeita. Aliás, um dos debates deste tempo ilustra bem o problema: não se precisa dos tribunais para afirmar que Sócrates, enquanto agente político, é culpado – basta saber que, enquanto primeiro-ministro, viveu às custas de transferências ocultas de um amigo com quem o Estado mantinha negócios. Mas se Sócrates é um óbvio caso de polícia, a cena política portuguesa está repleta de situações cuja inconsequência envergonha.

Carlos César (PS) tem toda a sua família empregada em cargos públicos, incluindo posições de nomeação. Ricardo Rodrigues (PS), célebre por ter sido condenado em tribunal pelo roubo de gravadores a jornalistas durante uma entrevista, foi escolhido pelo PS e há semanas eleito pelo parlamento para o Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais. António Gameiro (PS), conhecido por ter sido condenado em tribunal pela apropriação indevida de 45 mil euros de uma cliente (e com pena agravada pelo Tribunal da Relação), foi (novamente) eleito para o Conselho de Fiscalização do Sistema Integrado de Informação Criminal. E, menos recente mas interessante de comparar com o que sucedeu na Suécia, Glória Araújo (PS), à época deputada (2013), foi apanhada pela polícia a conduzir sob efeito de álcool (2,41 g/l) – e recusou renunciar.» (daqui)

a minha escolha

225px-Pedro_Passos_Coelho_1Quem me conhece, sabe das minhas opções partidárias. Por isso, também sabem que o meu sentido de voto vai para a coligação Portugal À Frente. Porque, para além da afinidade ideológica e programática, reconheço que Pedro Passos Coelho é muito mais Político (com “P” grande) que António Costa. É por isso que faço minhas as palavras de Carlos Carreiras neste artigo de opinião no Jornal i.

«Por mais desiludidos que os eleitores estejam, pense-se no seguinte: ao contrário do passado, este esforço deu resultados. Não foi em vão. Voltámos a pôr de pé uma nação com quase nove séculos. Há problemas? Claro. Mas quem é que está melhor colocado para os resolver: os que têm como currículo deixar o país na penúria, ou Passos Coelho que nos tirou dela? A resposta é tão clara como a escolha que temos em mãos.

Por tudo o que já fez em tempos de anormal e brutal dificuldade e, sobretudo, por tudo o que se propõe ainda fazer, como cidadão registo um obrigado a Pedro Passos Coelho.»

“a podridão moral” das elites

«O caso BES é o culminar de diversos casos que revelaram a podridão moral da elite política, financeira e empresarial. Essas diversas elites vivem da interdependência entre si, da troca de favores entre os seus principais protagonistas, do tráfico de influências e mesmo da pura corrupção que se instalou nos grandes negócios feitos entre o Estado e os privados. Daí António Barreto, um homem habitualmente moderado, ter afirmado ao i no sábado que “gostaria de ver presos (…) alguns banqueiros, empresários, administradores, ex-ministros, ex-secretários-gerais”. Barreto, para horror dessas elites, mais não fez do que verbalizar o sentimento de muitos portugueses que não percebem como é possível o enriquecimento inexplicável de muitos dos protagonistas políticos dos últimos 40 anos, a incompetência manifestada nos contratos das parcerias público-privadas, a construção sem nexo de equipamentos públicos inúteis, repetidos e pornograficamente caros e fora do orçamento previsto ou a promiscuidade quase total entre o Estado e as grandes empresas sempre em prejuízo do erário público.» (daqui)

francisco sá carneiro

francisco sá carneiro«O que é preciso é que se acabe com os mitos, e que, em lugar de termos políticos vanguardistas que defendem grandes slogans e grandes ideologias, tenhamos vontade de aprender com os portugueses o seu dia-a-dia, os seus problemas concretos e com eles, com a participação de todos, ir encontrando soluções.»

[19-05-1979, (Discurso no encerramento do Encontro das Autarquias Locais da Área Metropolitana de Lisboa - Vila Franca de Xira)]