perguntas que incomodam

foto_laurindaalves«Perante esta realidade é impossível não olhar com perplexidade para o cúmulo de excessos, mas também é impossível não nos interrogarmos. Algumas perguntas têm que ficar a fazer eco e a incomodar-nos. Questões sobre quem organiza tudo isto, naturalmente, mas também sobre as relações entre pais e filhos, alunos e professores, amigos e amigas. As famílias já não são o que eram e, por isso, ninguém sabe até que ponto uma rapariga ou um rapaz têm condições para entender o impacto daquilo que estão a viver. Muito menos para fazerem a sua catarse pós-ressaca, no caso de terem consciência do que viveram durante a bebedeira.

Estes rapazes e estas raparigas são jovens e têm um futuro pela frente. Muitos deles virão a ser pais, terão os seus filhos e as suas filhas, e uma das grandes interrogações também passa por saber como agiriam se soubessem que as suas próprias filhas se vendem por um par de shots ou de cervejas. Neste tempo, em que são filhos, entram no jogo e estabelecem os seus valores e preços, mas será que gostariam que a sua filha se prostituísse e fosse filmada enquanto se prostituía? E será que não se angustiariam com o facto de essas imagens ficarem para sempre na net?» (daqui)

Anúncios

“a podridão moral” das elites

«O caso BES é o culminar de diversos casos que revelaram a podridão moral da elite política, financeira e empresarial. Essas diversas elites vivem da interdependência entre si, da troca de favores entre os seus principais protagonistas, do tráfico de influências e mesmo da pura corrupção que se instalou nos grandes negócios feitos entre o Estado e os privados. Daí António Barreto, um homem habitualmente moderado, ter afirmado ao i no sábado que “gostaria de ver presos (…) alguns banqueiros, empresários, administradores, ex-ministros, ex-secretários-gerais”. Barreto, para horror dessas elites, mais não fez do que verbalizar o sentimento de muitos portugueses que não percebem como é possível o enriquecimento inexplicável de muitos dos protagonistas políticos dos últimos 40 anos, a incompetência manifestada nos contratos das parcerias público-privadas, a construção sem nexo de equipamentos públicos inúteis, repetidos e pornograficamente caros e fora do orçamento previsto ou a promiscuidade quase total entre o Estado e as grandes empresas sempre em prejuízo do erário público.» (daqui)