desacreditar as instituições

teodora_cardoso«A única questão que interessa hoje está na forma como, dia após dia, figuras de PS-PCP-BE têm intimidado o funcionamento de instituições independentes. Há que sair das trincheiras partidárias e perceber que esta não é uma questão de esquerda ou de direita, de partido A ou partido B. É de bom funcionamento da democracia. Porque uma coisa é discordar dos pareceres das instituições que enquadram a actuação do governo – é da vida e faz parte do xadrez democrático, feito de equilíbrios, freios e contrapesos. E porque outra coisa é desacreditar as instituições, ameaçar os seus representantes com sanções e cercar a crítica. Isso já não é combate político, mas sim abalar as instituições públicas cuja independência determina a saúde de uma democracia.

É, pois, admirável que esta intimidação passe como um facto normal no nosso debate público – o que mostra quão frágeis são os alicerces da nossa democracia entre os nossos partidos. E ainda mais admirável que quem tem a responsabilidade máxima na salvaguarda das instituições democráticas – o Presidente da República – alinhe no enxovalho e venha ele próprio contestar Teodora Cardoso. Sobre Marcelo, escrevia Vasco Pulido Valente (VPV) que a direita não está satisfeita por causa da sua assistência ao governo. Ora, o tiro de VPV falha o alvo: a insatisfação justifica-se, antes de mais, pela conivência de Marcelo para com esta sucessão de atropelos institucionais. Que isso preocupe mais a direita do que a esquerda diz, na verdade, mais sobre a esquerda do que sobre a direita.» (daqui)

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vara nunca esteve na caixa

vitor-rainho«É óbvio que os governos laranja também tiveram responsabilidades no forrobodó da banca portuguesa, esse elefante de papel que parecia sólido como uma rocha impenetrável. Olhando, no entanto, para um passado recente em que o antigo Dono Disto Tudo e o antigo ministro de José Sócrates espalhavam as suas influências, é extraordinário perceber que as baterias estão agora apontadas para aqueles que exigiram a comissão parlamentar de inquérito. Sejamos honestos: ninguém tem a capacidade de inverter a lógica do jogo que alguns socialistas têm revelado.

João Galamba e seus pares aprenderam numa escola onde os laranjinhas ficaram à porta, apesar de alguns insistirem muito para entrar. Percebe-se que a “criançada” que surgiu das jotas procura seguir o caminho daqueles que se tornaram importantes, mas se querem, efetivamente, ter o talento para transformar derrotas em vitórias, sigam antes o exemplo de Galamba. Afinal, Vara nunca passou pela CGD e os laranjas é que emprestaram rios de dinheiro a amigos de Sócrates para assaltarem o BCP…» (daqui)

à deriva

Rui-Ramos-300x300«Este governo e esta maioria romperam ainda com outra coisa: com tudo aquilo que os partidos que formam a maioria e apoiam o governo tinham dito, aconselhado e exigido enquanto estiveram na oposição. Até Novembro de 2015, PS, PCP e BE pareciam acreditar, por vias diferentes, que os problemas portugueses se resolveriam pondo a economia a crescer, e não equilibrando as contas do país, como pretendia a troika. Eram pelo “investimento público” e pelos “estímulos à economia”. Desprezavam as “metas do défice”. Mais: consideravam a política europeia errada, e achavam que deveria ser contestada e resistida até às últimas consequências. Mas ei-los no poder, e de um dia para o outro o crescimento deixa de lhes importar, cortam o investimento público, e parecem obcecados com as metas do défice. Perante Bruxelas, emitem por vezes uns ruídos anti-germânicos, mas de resto dão a entender que não há problemas. Que significa isto? Por um lado, tudo faz sentido: uma vez no poder, as antigas oposições descobriram que não lhes convinha dispensar o financiamento do BCE. Mas por outro lado, tudo é bizarro: o governo não prepara o país para ser competitivo dentro do quadro do Euro, porque o BE e o PCP recusam reformas, mas também não prepara o país para sair do Euro, porque o PS não aceita a saída do Euro. Limitamo-nos a viver do dinheiro do BCE, à deriva.» (daqui)

“um tremendo vazio moral”

Rui-Ramos-300x300«José Sócrates faz o que julga convém aos seus interesses, e naturalmente que convém aos seus interesses criar a impressão de que, no regime, ninguém leva a sério o inquérito judicial, tanto que não se inibem de o cumprimentar, convidar e homenagear. D. Sebastião deveria ter regressado numa manhã de nevoeiro. José Sócrates regressa num crepúsculo de confusão moral. É a complacência da direcção do PS, que se limita a não tirar selfies com o arguido; é a indiferença dos outros partidos, que nada dizem; é a excitação da imprensa, que lá há-de estar para lhe ampliar as lições; é provavelmente o cansaço de toda a gente, que há anos ouve falar de Sócrates e dos seus casos. Chegou a vida pública portuguesa àquele grau de tribalismo em que aos do nosso lado tudo é admitido e desculpado, e a ética na vida pública só se aplica aos nossos adversários? Ou pura e simplesmente já ninguém quer saber de nada, neste cada vez mais óbvio desmanchar de feira, em que uma classe política se prepara para legar aos vindouros não só a enorme dívida de um Estado desequilibrado, mas um tremendo vazio moral?» (daqui)

acabar com o ricos…

joão miguel tavares«“A primeira coisa que temos de fazer é perder a vergonha”, diz Mariana, na esteira de António Costa, que a primeira coisa que fez após as eleições foi efectivamente perder a vergonha e fazer a negociata com uma esquerda radical que – pormenor despiciendo – não acredita no capitalismo nem na economia de mercado. Aquilo a que Mariana chama “perder a vergonha” é a destruição de um consenso quanto a um modelo de regime centrado no respeito pela livre iniciativa, pela propriedade privada, pela intervenção limitada do Estado e pelo projecto europeu. Coisa pouca. Mesmo o consenso em torno do Estado Social era enquadrado pela famosa máxima atribuída a Olof Palme: “Nós queremos acabar com os pobres, não com os ricos.” Ora, o Bloco e o PCP estão muito mais interessados em acabar com os ricos do que com os pobres, até porque foi nessa actividade que a ideologia que perfilham se especializou sempre que alcançou o poder.» (daqui)