quem não aparece, esquece!

(publicado originalmente na página Almeirim 2017)

Quatro anos depois do “Almeirim 2013 – Especial Eleições Autárquicas”, cá estamos para cobrir mais umas eleições autárquicas no concelho de Almeirim. Mas se em 2013, por esta altura, as eleições autárquicas já faziam correr muita tinta e já tinham colocado a funcionar as máquinas partidárias, as do próximo Outono parecem não entusiasmar ninguém! Principalmente na oposição, como muito bem fez notar o Miguel Dias nos seus editoriais. Porque, quanto ao Partido Socialista (e há coisas que nunca mudam!!!), está a prepará-las desde o dia seguinte às últimas. E isso vai fazer toda a diferença!

Se em 2013 poderia existir alguma incerteza quanto aos resultados eleitorais decorrente da impossibilidade de recandidatura do então presidente de câmara e da existência de dois movimentos “independentes” na área socialista, este ano o cenário é bem diferente. Atrevo-me a dizer que a única dúvida existente é saber como serão distribuídos os lugares do executivo municipal. Se o Partido Socialista aumentar a sua representatividade na câmara municipal, isso será mais por demérito da oposição do que por mérito da maioria. E o demérito da oposição reside, essencialmente, em dois aspectos: uma enorme desilusão face às expectativas existentes há quatro anos e uma tremenda falta de comunicação.

Há quatro anos atrás, os partidos e movimentos candidatos elevaram as suas expectativas no que toca à obtenção de um resultado eleitoral que lhes permitisse equilibrar as forças, principalmente na câmara e na assembleia municipal. Só que isso não só não veio a acontecer, como os socialistas reforçaram a votação em termos absolutos face a 2009. E as expectativas altas deram lugar a uma enorme desilusão. Por exemplo, os partidos que integram o Movimento Amar A Terra depararam-se, ou com um vazio na liderança (PSD) ou com mudanças nessa mesma liderança (CDS-PP). O PSD, apesar de ter órgãos eleitos desde o verão de 2015, tem primado pela ausência da arena política e por um silêncio ensurdecedor. E é aqui que entra o segundo aspecto: a falta de comunicação. Comunicação, que é uma ferramenta imprescindível no nosso dia-a-dia e o é ainda mais na política! Principalmente quando a política se passou a fazer, na maioria das vezes, através das redes sociais.

Ainda antes do boom do Facebook e Twitter, em 2006, a direcção concelhia do PSD, ciente da importância da comunicação, da informação e da transparência, decidiu criar um blogue cujo principal objectivo seria disponibilizar informação, não só sobre a actividade do partido mas, sobretudo, sobre o trabalho exercido pelos autarcas social-democratas, nomeadamente pelo vereador. A um ritmo quinzenal, os resumos das reuniões de câmara e das tomadas de posição do eleito foram colocados online para que, quem quisesse, os pudesse consultar. Até porque as reuniões do executivo municipal eram (e continuam a ser) em horário laboral, o que se torna impeditivo para a quase totalidade dos munícipes assistir. Depois, porque as deliberações dos órgãos autárquicos não se resumem ao sentido de voto que cada interveniente adopta para determinado assunto. As deliberações são precedidas de discussão e culminam com as declarações de voto, que encerram em si as razões para que se tenha votado de determinada forma. Ainda assim, esta ferramenta comunicacional não foi suficiente para que, nas eleições seguintes (2009), o PSD mantivesse o seu eleito na câmara municipal. Apesar disso, o blogue do PSD de Almeirim foi sendo actualizado. Actualização que cessou com a campanha para as eleições autárquicas de 2013. Passados quatro anos, o PSD voltou, ainda que em coligação com o CDS-PP e o MPT, a dispor de voz no executivo municipal. Mas, por muito estranho que isso possa parecer, deixou de comunicar. Tanto os autarcas como os órgãos locais, entretanto eleitos, remeteram-se ao silêncio quebrado, pontualmente, por uma entrevista ou por umas declarações apressadas.

Diz o povo português, na sua imensa sabedoria popular que «quem não aparece, esquece»! Temo que, nas próximas eleições autárquicas, os almeirinenses se esqueçam do PSD.

ser oposição não é (só) pedir demissões

Julgo que a maioria daqueles que seguem os meus textos sabem da minha filiação partidária. Ser-se militante dum partido político significa comungar dos ideais perfilhados, mas ter a frontalidade de discordar de decisões tomadas.

Por isso, tenho uma opinião muito própria sobre o que é fazer oposição num concelho como Almeirim, que tem sido governado por sucessivas maiorias absolutas do Partido Socialista. Fazer oposição não é estar contra tudo. Fazer oposição é, acima de tudo, apresentar alternativas ao actual modelo de governação. É estar contra quando julgamos que os interesses da população estão em causa e é estar a favor quando essa mesma população é beneficiada por uma qualquer decisão política. Este trabalho tem que ser contínuo, inicia-se logo após as eleições e só termina no último dia da campanha eleitoral das eleições seguintes.

Por isso, fazer oposição a uma maioria absoluta que governa os destinos dum município não é estar ausente durante três anos e, de repente, só por causa dum fait-divers do qual se tomou conhecimento por ter sido divulgado na comunicação social local e regional, vir pedir a demissão da vereadora da educação. Isso não passa de oportunismo político! Eu gostaria de ver, da parte da JSD de Almeirim e, principalmente, do PSD de Almeirim, tomadas de posição sobre assuntos de relevante interesse para as populações deste concelho e não sobre assunto de lana caprina.

Não quero com isto dizer que concordo com a atitude da vereadora da educação. Vamos por partes. A cidadã Maria Emília Moreira tem direito à sua opinião sobre qualquer assunto e o facto de ser autarca não a pode diminuir neste aspecto. Mas, a vereadora da educação tem que saber separar os assuntos que fazem parte do seu dia-a-dia enquanto tal e aqueles que pertencem à sua esfera pessoal e familiar. Misturar estes dois tipos de assuntos é sinónimo de trapalhada. A cidadã Maria Emília Moreira pode escrever o que escreveu mas não o deveria ter feito na qualidade de vereadora, não deveria ter usado a sua conta de correio electrónico institucional e não deveria ter afirmado que iria rever a sua posição no seio do executivo municipal quando se tratassem de assuntos relacionados com o União de Almeirim.

o vazio: um ano depois

logo_PSDTodos os que lêem aquilo que vou escrevendo por aqui sabem qual foi a minha posição face às eleições para os órgãos concelhios do PSD de Almeirim. Ela pode ser encontrada aqui e aqui. Desde então (os textos têm um ano), preferi dar o benefício da dúvida aos órgãos eleitos e remeti-me ao silêncio. Silêncio que também tem sido o apanágio da concelhia do PSD/Almeirim.

Com este texto abandono esse silêncio. Há limites para tudo. Até para a condescendência! E como durante um ano não me foi dada a oportunidade, prevista estatutariamente, de me pronunciar sobre a vida do partido no qual milito há quase 25 anos, não me resta outra solução que não seja tornar público a minha opinião.

Há um ano atrás, um companheiro de partido e actual dirigente local comentou que, e passo a citar «não devemos ter receio da mudança, na grande maioria dos casos é benéfico para a estrutura e para a população, afinal prova exactamente que o alegado vazio pode ser uma pontualidade de um ciclo.». Não questiono os benefícios das mudanças. Aliás, só com mudança é possível evoluir. No entanto, convém que essa mudança seja produza algo de positivo. Passados doze meses daquele comentário, não consigo percepcionar quaisquer mais-valias na mudança ocorrida na estrutura do PSD/Almeirim. Porque, para que possa existir mudança tem que haver, forçosamente, acção e isso, infelizmente, foi algo que não se viu neste último ano!

Não se conhecem, da parte da actual direcção local do PSD/Almeirim, quaisquer iniciativas, quaisquer opiniões ou quaisquer tomadas de posição sobre assuntos de relevante interesse local. Veja-se, a título de exemplo, o caso do concurso de pessoal promovido pela Junta de Freguesia da Raposa… Nem uma linha sobre o assunto! Não se sabe qual a posição da concelhia do PSD/Almeirim sobre o modelo de desenvolvimento económico do concelho. Sobre o desemprego. Sobre a educação. Sobre a saúde. Sobre tantos outros assuntos importantes. Depois, em termos de organização interna do partido, não foi convocada uma única Assembleia de Militantes (e, no espaço de um ano, deveriam ocorrido umas três… para além das que foram convocadas pelos órgãos distritais e nacionais do partido com fins eleitorais). Os militantes desconhecem o que a direcção concelhia está a realizar e esta desconhece as opiniões dos seus militantes. É que estas assembleias de militantes são também uma forma de mobilizar os militantes para importantes batalhas eleitorais como, por exemplo, as eleições autárquicas do próximo ano. Mas, pelos vistos, a actual direcção concelhia já deve ter essa mobilização garantida!

Tudo isto leva-me a concluir que o “alegado vazio” não foi apenas “uma pontualidade de um ciclo”. Se antes do dia 26 de Junho de 2015 havia um vazio de facto por não existirem órgãos eleitos e com mandato, agora existe um outro vazio, bem mais prejudicial, já que existem órgãos eleitos e mandatados mas que pecam pela ausência e pela inércia.

Agora, venham de lá essas críticas ao que escrevi!

uma dúvida

Tendo em conta o tempo que já decorreu entre a vinda a público do episódio do concurso promovido pela Junta de Freguesia da Raposa (que terminou com a anulação do mesmo) e o silêncio de todas as forças da oposição (excepção e honra feita à Juventude Popular), fui acometido por uma dúvida: o PSD de Almeirim ainda existe?