sempre na defesa do serviço público (9)

IMG_0791-0«Imaginem agora por um só momento que o governo da “geringonça” não tinha revertido a subconcessão do Metro de Lisboa e que este era neste momento gerido por privados. Primeiro, as avarias nas escadas rolantes e a compra de peças sobressalentes não teria de ir a despacho do ministro, iria apenas ao bolso do concessionário em vez de ir ao bolso do contribuinte. Depois, os poderosos sindicatos, que por via da “geringonça” e do apoio do PCP ao Governo têm o Metro como refém, estariam provavelmente a perder filiados, como sucedeu na generalidade das empresas privatizadas, pois os trabalhadores compreenderiam que o destino do seu posto de trabalho e do seu salário dependeria da saúde da empresa em que trabalham e não da capacidade sindical de extorquir mais “subsídios” aos contribuintes portugueses. Ou seja, teríamos provavelmente melhor serviço e menos greves. Em vez disso tivemos uma “reversão” que, como está à vista de todos, prejudicou o serviço público e só beneficiou uma pequena corporação defendida por uma tropa de choque sindical.

É por tudo isto que o silêncio do PCP, do Bloco, do PS e até da Câmara de Lisboa sobre o que se passa no Metro de Lisboa é mais eloquente que mil discursos inspirados: diz tudo sobre o que realmente conta nesta solução de Governo, ou seja, que o que é mesmo importante é ter e manter o poder enquanto tal for possível, mesmo que à custa de tudo o que antes se defendeu e reclamou.» (daqui)

sempre na defesa do interesse público (6)

tap«É claro que alguns alegam que não são interesses particulares que estão em jogo, mas sim a verdadeira defesa do interesse público – neste caso, a resistência à privatização da TAP. Desculpem, mas não é verdade. Primeiro, porque se a questão é a privatização, esse é um dossier político, a ser debatido pelos partidos políticos com o Governo, e não pelos pilotos. Segundo, porque nesta greve sempre estiveram em causa assuntos particulares, e não de interesse público.

Para o confirmar, basta consultar a irrealista lista de exigências dos sindicatos da TAP. E basta ver a razão que levou a que não se conseguisse acordo entre estes e o Governo: os pilotos querem uma fatia maior das acções da companhia, sem contrapartidas financeiras. Agora expliquem-me: de que modo é que a pretensão dos pilotos, que impediu o acordo entre sindicatos e Governo, é parte da defesa do interesse público?» (daqui)