o regresso ao passado

manuel-carvalho«O que está a acontecer vai provocar um aumento desmesurado da despesa rígida do Estado. O destino das contas do Estado voltará a deixar de ficar sob a alçada do nosso controlo e passará a depender da providência das taxas de juros, do crescimento dos nossos parceiros ou da estabilidade política na União Europeia. Voltamos ao passado, como se fôssemos um país estúpido e incapaz de aprender à sua custa dos seus erros. O Governo que até agora tinha conseguido afastar o diabo mantendo um sólido compromisso entre o equilíbrio das contas públicas e a melhoria dos rendimentos dos deslumbrou-se e viajou para a estratosfera.

Com este passo imprudente, António Costa arrisca-se a perder o pé. O eleitorado moderado tenderá a mudar-se para outras latitudes. “A sociedade tem de ter a coragem de assumir os seus problemas”, lembrou uma vez mais Marcelo Rebelo de Sousa, e a sociedade portuguesa teve essa coragem. Quando perceber que o Governo virou a cara aos problemas para garantir o seu confortável “saber durar”, dificilmente lhe perdoará. Como mostraram as eleições de 2015, uma ampla franja dos portugueses perceberam o que se passou. E percebem também o perigo de se encarar o leve alívio na economia como um estímulo ao agravamento da despesa. Sabemos pelos sinais da dívida, do mundo, ou pela fragilidade da economia que a situação recomenda juízo, prudência e paciência para, como tantas vezes acontece na vida, ir melhorando a vida aos poucos.» (daqui)

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da previsibilidade e da irresponsabilidade

maria joão avillez«Após a vitória dos professores não custava antecipar que “a esquerda e sindicatos falem em porta aberta a toda a função publica” (DN). Jornais e outros meios fizeram o favor de nos explicar, como se fosse preciso, que já havia mais carreiras a reivindicar o mesmo “tratamento” dos professores. Facto que de resto logo parecera uma “inevitabilidade” ao líder máximo comunista, Jerónimo de Sousa: não era essa reivindicação uma pura questão de “justiça”? Era: uma vez que a porta já se entre-abrira, com facilidade agora era escancará-la de vez para que entrassem todos. Os “todos” da função pública, claro está, que a mim não havia quem me abrisse porta nenhuma com tamanha solicitude. O sol quando nasce é para quem vota e a conta da despesa é para quem vier depois.

O líder comunista esqueceu-se, porém, de uma coisa não despiscienda: esqueceu-se que toda a plateia do país percebeu muito bem que não fora o insignificante resultado eleitoral do PC nas últimas eleições e Jerónimo de Sousa porventura não se afadigaria com tanto afinco e tanto afã. Outro bom aluno.

Tudo tão previsível. Tudo tão irresponsável.» (daqui)

o que está realmente em causa

helena-garrido«Perante estes factos, a defesa dos interesses dos trabalhadores aparece como um sub-produto do objectivo principal: a CGTP, afecta ao PCP, quer controlar sindicalmente a Autoeuropa que até agora estava sob a influência do Bloco de Esquerda. Esta é a principal batalha que se desenrola na fábrica e para a qual cada parte está a mobilizar as suas tropas. A defesa dos interesses de quem trabalha na fábrica está em segundo plano. Caso exista um conflito entre os dois objectivos, vai dar-se prioridade ao que garantir a vitória do sindicato e não dos trabalhadores.

São estas batalhas, que colocam os interesses partidários acima dos interesses dos trabalhadores, que têm contribuído para a desacreditação dos sindicatos, enquanto organizações de defesa de uma das partes que integra a comunidade empresa. Mas há também outros factores mais recentes, como o individualismo e na era actual a arma letal para os sindicatos que é a nova organização do trabalho simbolizada pela Uber.» (daqui)

o fim de uma era

IMG_0791-0«Quando o Estado sair da empresa, qualquer greve terá consequências na rentabilidade e obrigará o privado a fazer reestruturações para compensar os prejuízos. E como quem fala em reestruturações fala em despedimentos, é natural que as greves tenham os seus dias contados. Não só na empresa como no sector dos transportes.

Para já não falar das falsas greves gerais que eram medidas apenas pelas filas de trânsito nas grandes cidades. Despeçam-se das greves, fanáticos. E dos privilégios. Boa sorte e bom trabalho.» (daqui)