ainda a greve na tap

sensivelmente idiotaUma carta aberta, escrita por Diogo Faro e publicada na coluna “Sensivelmente Idiota” do jornal Sol, e a qual subscrevo na íntegra.

«Faltei ao casting, não vi o meu filho nascer nem o meu avô fazer anos. Demorei mais dias a ir cuidar da minha mãe, fiquei muito menos tempo no Brasil, cancelei concertos e palestras. Deixei as saudades a latejar no peito e adiei ambições.

Porquê? Por causa da vossa birra. Por causa do vosso ganguezinho bem fardado e manipulado pelo sindicato dos pilotos que quer mais e mais, sem olhar a meios, sem olhar à volta, sem olhar para nada que não seja o seu umbigo.
Para quem faz da sua vida ter o mundo à sua frente, até entristece perceber que vivem num mundo só vosso, num mundo tão tacanho.

Andarem lá em cima não faz com que possam achar que todos os outros são mais pequeninos que vocês.

Que isto tudo vos corra mal.
Até um dia destes.»

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ainda sobre a greve dos pilotos da tap

tap«Escrever sobre esta greve é um pouco como chover no molhado – já toda a gente se mostrou tão surpreendida como indignada. Escrever sobre ela no dia de uma tragédia como a que foi vivida no Mediterrâneo, pode parecer fútil. Mas mesmo assim faço-o, e por uma razão simples: o conflito que hoje enfrentamos é, em boa parte, uma herança de uma decisão política tomada em véspera de eleições, e suspeito que só aconteceu para não prejudicar os resultados eleitorais do partido então no governo. Bem sei que não foi caso único na história da nossa democracia, mas como ilustra bem a forma como, muitas vezes, a demagogia trata de condicionar a democracia, tal como ilustra bem a forma como se pode actuar com a maior hipocrisia política, é importante recordá-lo. Porque está esquecido e porque estamos, de novo, num tempo eleitoral.» (daqui)

promessas

tapEm 1999, perante a ameaça duma greve por parte dos pilotos da TAP, o governo socialista de então, liderado por António Guterres, prometeu àqueles uma fatia entre 10 a 20 por cento das acções da empresa em caso de privatização.

Agora, perante uma nova greve, é o então Ministro Equipamento, Planeamento e Administração do Território, João Cravinho, que tutelava a TAP, que vem afirmar que o acordo celebrado não tem validade legal, salientando que «(…) a existência de um alegado direito adquirido no contexto da reprivatização da TAP é uma total falsidade, montada a partir do nada.» (daqui)

Este é mais um dos muitos exemplos de como se faz política em Portugal: para evitar uma greve promete-se o que não se pode cumprir!

sempre na defesa do interesse público (6)

tap«É claro que alguns alegam que não são interesses particulares que estão em jogo, mas sim a verdadeira defesa do interesse público – neste caso, a resistência à privatização da TAP. Desculpem, mas não é verdade. Primeiro, porque se a questão é a privatização, esse é um dossier político, a ser debatido pelos partidos políticos com o Governo, e não pelos pilotos. Segundo, porque nesta greve sempre estiveram em causa assuntos particulares, e não de interesse público.

Para o confirmar, basta consultar a irrealista lista de exigências dos sindicatos da TAP. E basta ver a razão que levou a que não se conseguisse acordo entre estes e o Governo: os pilotos querem uma fatia maior das acções da companhia, sem contrapartidas financeiras. Agora expliquem-me: de que modo é que a pretensão dos pilotos, que impediu o acordo entre sindicatos e Governo, é parte da defesa do interesse público?» (daqui)

greve tudo menos patriótica

tap

«A greve é tida por patriótica, na óptica do Dr. Mário Soares. Opõe-se aos desideratos deste e, pelos vistos de outros governos anteriores. O Dr. Soares discorda de todos. A greve é contra, o Dr. Soares apoia. Com esta greve todos perdemos. Portugueses em geral, porque dos nossos impostos mais dinheiro irá sair, trabalhadores que perdem proventos, país que perde credibilidade, empresa que aumenta o seu desequilíbrio.

Estranha decisão patriótica esta.

Se a administração da empresa se apresentar daqui a algum tempo de braço ao peito, se os portugueses se cansarem de pagar, se o país aumentar a sua incomensurável dívida, se os aviões ficarem em terra, os patrióticos trabalhadores não precisarão de fazer mais greves e o Dr. Soares emudecerá.

O voo chegou ao fim.» (daqui)