desprezo pelas instituições

graca.moniz«Tempos houve em que a esquerda parlamentar, então impoluta e menos comprometida, censurava aqueles que discordavam do conteúdo das decisões de órgãos autónomos e independentes do poder político, como sucedeu com as decisões do Tribunal Constitucional, cuja independência política não é totalmente incontestada, e a sua designação de “tribunal” nem sempre consensualizada. Como reação natural à deslocada referência da presidente do CFP a um “milagre” esperava-se uma discordância dentro dos limites que impõe o respeito institucional e a autonomia do órgão: uma discordância de substância, devidamente fundamentada, e nunca uma espécie de ameaça à pessoa que exerce o cargo ou um ataque à sua competência ancorado na mera discordância entre o PCP e a realidade económica apontada por Teodora Cardoso. Porém, bem vistas as coisas, não é novidade nenhuma o desprezo olímpico do PCP por instituições autónomas de supervisão e controlo do Estado.» (daqui)

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desacreditar as instituições

teodora_cardoso«A única questão que interessa hoje está na forma como, dia após dia, figuras de PS-PCP-BE têm intimidado o funcionamento de instituições independentes. Há que sair das trincheiras partidárias e perceber que esta não é uma questão de esquerda ou de direita, de partido A ou partido B. É de bom funcionamento da democracia. Porque uma coisa é discordar dos pareceres das instituições que enquadram a actuação do governo – é da vida e faz parte do xadrez democrático, feito de equilíbrios, freios e contrapesos. E porque outra coisa é desacreditar as instituições, ameaçar os seus representantes com sanções e cercar a crítica. Isso já não é combate político, mas sim abalar as instituições públicas cuja independência determina a saúde de uma democracia.

É, pois, admirável que esta intimidação passe como um facto normal no nosso debate público – o que mostra quão frágeis são os alicerces da nossa democracia entre os nossos partidos. E ainda mais admirável que quem tem a responsabilidade máxima na salvaguarda das instituições democráticas – o Presidente da República – alinhe no enxovalho e venha ele próprio contestar Teodora Cardoso. Sobre Marcelo, escrevia Vasco Pulido Valente (VPV) que a direita não está satisfeita por causa da sua assistência ao governo. Ora, o tiro de VPV falha o alvo: a insatisfação justifica-se, antes de mais, pela conivência de Marcelo para com esta sucessão de atropelos institucionais. Que isso preocupe mais a direita do que a esquerda diz, na verdade, mais sobre a esquerda do que sobre a direita.» (daqui)