um homem com a “vertigem do risco”

Sá-Carneiro«Devemos-lhe a integração tranquila e democrática da direita no regime, somente cinco anos após a revolução. O paralisante Mota Amaral disse uma vez que Sá Carneiro tinha a “vertigem do risco”. Infelizmente, muitos dos que se reclamam da “herança” que não deixou, porque era atípico disto, nunca a tiveram e jogaram sempre pelo seguro. Sá Carneiro tinha os olhos exigentes do futuro e, sem pretensões de infalibilidade matemática, arriscava quase sempre no limite. Por exemplo, ninguém o veria na “comissão de instalados” contra Santana Lopes que ornamenta, pela negativa, a candidatura Rio no PSD. Ali, não há vestígio de ruptura democrática ou de inconformismo reformista, afinal o programa não escrito do PPD/PSD e de Sá Carneiro.» (daqui)

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o regresso ao passado

manuel-carvalho«O que está a acontecer vai provocar um aumento desmesurado da despesa rígida do Estado. O destino das contas do Estado voltará a deixar de ficar sob a alçada do nosso controlo e passará a depender da providência das taxas de juros, do crescimento dos nossos parceiros ou da estabilidade política na União Europeia. Voltamos ao passado, como se fôssemos um país estúpido e incapaz de aprender à sua custa dos seus erros. O Governo que até agora tinha conseguido afastar o diabo mantendo um sólido compromisso entre o equilíbrio das contas públicas e a melhoria dos rendimentos dos deslumbrou-se e viajou para a estratosfera.

Com este passo imprudente, António Costa arrisca-se a perder o pé. O eleitorado moderado tenderá a mudar-se para outras latitudes. “A sociedade tem de ter a coragem de assumir os seus problemas”, lembrou uma vez mais Marcelo Rebelo de Sousa, e a sociedade portuguesa teve essa coragem. Quando perceber que o Governo virou a cara aos problemas para garantir o seu confortável “saber durar”, dificilmente lhe perdoará. Como mostraram as eleições de 2015, uma ampla franja dos portugueses perceberam o que se passou. E percebem também o perigo de se encarar o leve alívio na economia como um estímulo ao agravamento da despesa. Sabemos pelos sinais da dívida, do mundo, ou pela fragilidade da economia que a situação recomenda juízo, prudência e paciência para, como tantas vezes acontece na vida, ir melhorando a vida aos poucos.» (daqui)

da previsibilidade e da irresponsabilidade

maria joão avillez«Após a vitória dos professores não custava antecipar que “a esquerda e sindicatos falem em porta aberta a toda a função publica” (DN). Jornais e outros meios fizeram o favor de nos explicar, como se fosse preciso, que já havia mais carreiras a reivindicar o mesmo “tratamento” dos professores. Facto que de resto logo parecera uma “inevitabilidade” ao líder máximo comunista, Jerónimo de Sousa: não era essa reivindicação uma pura questão de “justiça”? Era: uma vez que a porta já se entre-abrira, com facilidade agora era escancará-la de vez para que entrassem todos. Os “todos” da função pública, claro está, que a mim não havia quem me abrisse porta nenhuma com tamanha solicitude. O sol quando nasce é para quem vota e a conta da despesa é para quem vier depois.

O líder comunista esqueceu-se, porém, de uma coisa não despiscienda: esqueceu-se que toda a plateia do país percebeu muito bem que não fora o insignificante resultado eleitoral do PC nas últimas eleições e Jerónimo de Sousa porventura não se afadigaria com tanto afinco e tanto afã. Outro bom aluno.

Tudo tão previsível. Tudo tão irresponsável.» (daqui)

como compensar uma derrota eleitoral

Paulo Ferreira«Se a cegueira ideológica da extrema esquerda não surpreende, o papel a que o PS se está a prestar neste “trabalho” não deixa de ser lamentável. Sem indústria, sem projectos com dimensão internacional que possam ser estruturantes para alguns sectores, sem unidades que induzam e apliquem a investigação e inovação que se vai fazendo nalgumas universidades, sem uma perspectiva de crescimento para as startups que vão surgindo, vamos ficar cada vez mais dependentes do investimento nómada, aquele que muda de país num estalar de dedos, com poucos custos de instalação. Ou então do turismo, que é ainda mais volátil, como os países do Norte de África podem testemunhar.

Mas sobretudo muito mais dependentes do Estado, das suas ineficiências e corporações que nunca nos levarão a lado nenhum, como já tivemos tempo de aprender.» (daqui)

a nova austeridade

helena-garrido«As já décadas de acompanhamento do Orçamento do Estado permitem concluir que é praticamente impossível que o PCP e mesmo o Bloco ignorassem a estratégia que o Governo estava a seguir. Se não o soubessem por via da análise do Orçamento do Estado – o PCP sempre teve excelentes deputados a analisar o Orçamento – tiveram com certeza conhecimento dos apertos financeiros dos serviços através de militantes ou simpatizantes. Quiseram também eles que a austeridade fosse escondida, como querem que se mantenha escondida toda a estratégia europeia do Governo nas matérias a que oficialmente se opõem.

A política da austeridade escondida altamente ameaçadora dos serviços públicos foi prosseguida pelo Governo mas teve a cumplicidade do PCP e do Bloco de Esquerda. Podem hoje competir pelo pódio de quem defendeu mais a reposição dos rendimentos mas todos estão a ser responsáveis pelo risco a que expuseram os serviços públicos. É aliás extraordinário que aqueles que dizem defender o Estado sejam os que mais o põem em causa.» (daqui)

Neste momento resta-nos apenas desejar que não aconteçam outras tragédias.