livros que vou lendo (16)

os_reis_da_reconquista_portuguesa

“Assim Nasceu Portugal – Os reis da reconquista portuguesa”, de Stephen Lay

Sinopse:

«Entre o século X e metade do século XIII, Portugal emergiu como um reino independente com fronteiras que se têm mantido, na sua grande maioria, inalteradas até hoje. Este desenvolvimento político ocorreu tendo como pano de fundo a luta entre a cristandade e o mundo islâmico, pelo controlo sobre a Península Ibérica. Também decisivo na formação de Portugal foi o impacto de uma crescente influência europeia por toda a península neste período. Esta influência cultural teve lugar através da imigração, do crescimento de redes comerciais e sociais e da transferência de ideias e de costumes sociais. Os governantes portugueses procuraram mediar esta influência europeia e transformá-la em benefício próprio. No século XII, Afonso Henriques (1128-1185) conseguiu estabelecer a monarquia portuguesa, mas os seus herdeiros Sancho I (1185-1211), Afonso II (1211-1223), Sancho II (1223-1245), e Afonso III (1248-1279) descobriram que o equilíbrio entre a realidade ibérica e as expectativas europeias era cada vez mais difícil de manter.»

 

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livros que vou lendo (2)

o vermelho e o negro

“O Vermelho e o Negro”, de Stendahl

 

«O romance da vida de Vasco Graça Moura é “O Vermelho e o Negro”. Em quatro palavras: amor, morte, poder, traição. Leiam, releiam. “O Vermelho e o Negro” surgiu em 1830, quando o seu autor, Stendhal, aliás Henri Beyle, tinha 47 anos. Foi o seu segundo romance (o seu outro grande romance de referência, “A Cartuxa de Parma”, é posterior) e publicou-o no ano em que, depois de vários amores mal correspondidos, uma mulher – Giulia Rineri – se apaixonou por ele e lhe disse. Nunca lhe tinha acontecido. Não houve um final feliz. Pediu a mão de Giulia ao tutor, que iludiu o pedido e Giulia casou-se com outro, três anos depois. Mas foi, de certo modo, por comparação, um amor feliz. Stendhal já tinha publicado “Do Amor”, a seguir a uma paixão desgraçada por Métilde Dembowski.Não vamos continuar com apontamentos biográficos, “O Vermelho e o Negro” não é uma história de amor desse género. Vasco Graça Moura escolheu-o como o romance da sua vida, e resumiu-o, porque Paulo Nozolino pediu, em quatro palavras – amor, morte, poder, traição. O que faz que, para continuarmos, fique mais ou menos assim:Em Verrières, uma aldeia, Julien Sorel, de 18 anos, um rapaz de origem absolutamente modesta, ambicioso nessa proporção, sonha com o seminário como fuga a um destino igual ao do pai, carpinteiro. Monsieur de Renal, o maire, leva-o para casa como preceptor dos filhos. Julien sabe a Bíblia de cor, o que provoca em todos uma admiração que de certeza ainda dura, e torna-se amante de Madame de Renal; ela só conhece o amor por ter lido romances, está apaixonada e é tão inocente que um dia lhe ocorre fazer confidências ao marido, embora depois, é verdade, desista; ele pensa nela, mas também em Napoleão. Uma das crianças adoece e ela acredita num castigo divino. O marido sabe do adultério por carta anónima. Julien tem de partir. Vai para um seminário em Besançon.O abade director do seminário sugere-lhe que se torne secretário do Marquês de la Mole em Paris, para onde Julien vai, depois de uma última e perigosa visita a Madame de Renal, que vive ainda a paixão que a levara ao adultério.Mathilde, a filha do Marquês, sente-se atraída por Julien e uma noite encontram-se no quarto dela. Uns dias depois, diz-lhe que nunca gostou dele. Entretanto, Julien faz a sua ascensão social tornando-se um homem de confiança do Marquês, interessa-se por outra, “e foi então que Matilde amou pela primeira vez”. Está grávida, de resto, diz-lhe a ele, e diz ao pai que se quer casar com Julien. O Marquês obtém-lhe o título de Marquês Sorel de Vernaye.Enquanto o casamento se prepara, Madame de Renal escreve ao Marquês contando-lhe a história de Julien, que perde a cabeça, chega a Verrières e, na igreja, durante a missa, atira sobre Madame de Renal. Não chega a matá-la.Na prisão, percebe que gosta de Madame de Renal e medita sobre a inutilidade da sua ambição e da ambição em geral. Madame de Renal e Mathilde intervêm para que não seja condenado à morte; ele quer morrer. Uns dias depois da execução, Madame de Renal morre.Chegando aqui, falta admitir que é cómico resumir “O Vermelho e o Negro” como uma telenovela, mas era necessário, porque nem toda a gente se lembra. Claro que o melhor é relerem. Está disponível numa edição da Clássica Editora, tem 572 pgs., custa 9,48.PÚBLICA – Lembra-se da primeira vez que leu “O Vermelho e o Negro”? Vasco Graça Moura – Li-o pela primeira vez, aí pelos doze ou treze anos, quando comecei a ser capaz de ler em francês. Mas já conhecia grande parte da história graças ao meu pai, que era um stendhaliano e um balzaciano ferrenho e que, quando nós éramos pequenos, falava connosco à mesa dos livros que considerava importantes. Interessavam-no particularmente as cenas do seminário e dos bastidores da intriga política.Enquanto, na “Chartreuse”, Fabrice del Dongo não se move propriamente fora do seu meio, mas sim entre os impulsos passionais, as intrigas e os cinismos próprios do seu meio, o que, de algum modo, torna o seu “bonapartismo” qualitativamente diferente, Julien Sorel tem de tentar subir a pulso toda a escala da ascensão social. É um outsider que precisa, por ambição, de se converter em insider e que vive as tensões e as contradições desse percurso, falhando quase no termo, quando os bons resultados estão à vista. Neste aspecto, Julien está mais próximo do Lucien de Rubempré, do Balzac, do que do Eugène de Rastignac, do mesmo Balzac, gente da pequena nobreza de província que tenta também uma ascensão no grand milieu de Paris. Só que Lucien se suicida e Julien é executado, enquanto Rastignac sobrevive e se impõe pelo cinismo…Hoje em dia, creio que esses aspectos contam cada vez menos, salvo para certas audiências televisivas. Deu-se uma espécie de “globalização” nessa matéria.» (daqui)

é por esta…

antonio_costa2… e por outras parecidas que António Costa e o PS não descolam nas sondagens!

«Isto não é um pormenor de somenos, nem um exemplo meramente infeliz de António Costa. Muito boa gente à esquerda anda entretida a reescrever a História e a manipular a memória, querendo convencer-nos de que houve um tempo em que a vida era bastante mais fácil e o capitalismo um sistema muito amigo do trabalhador. Em vez de se prometerem amanhãs que cantam, inventam-se ontens que cantaram. Se Costa quisesse combater com firmeza a desigualdade e o capitalismo de compadrio, eu estaria com ele – essas são, sem dúvida, lutas fundamentais do nosso tempo. Mas o problema é que, em simultâneo, a agenda socialista continua a promover uma absurda narrativa da crise, em que o trabalhador de 2015 até já perde em privilégios para o trabalhador de 1915. Para o PS, não basta que tenhamos regredido dez anos – é preciso fingir que regredimos 100. Não basta tentar corrigir a realidade que existe – é preciso inventar uma realidade que nunca existiu. Caro António Costa: assim não dá.» (daqui)

livros que vou lendo (1)

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“Operação Valquíria”, de Jesús Hernández

Sinopse:

«Decorre o ano de 1943. O coronel Claus Schenk von Stauffenberg acaba de ser transferido para Berlim sob as ordens do general Friedrich Olbricht, membro de um núcleo de resistência que começa a congeminar um plano para assassinar Hitler. Olbricht já conta com o apoio de cerca duzentos implicados das mais diversas esferas da sociedade alemã, inclusive nos serviços secretos e de contra-espionagem. O seu objectivo é eliminar Hitler, Goering e Himmler, neutralizar as SS e instaurar um governo provisório, cujo fim é tentar uma paz com os Aliados e acabar com a guerra. Von Stauffenberg, apesar dos seus ferimentos de guerra (perdera um olho e vários dedos da mão), quer ser ele próprio a realizar o atentado.Os conspiradores hesitam. Será ele capaz de activar a bomba? Finalmente aceitam porque percebem que a sua invalidez é o álibi perfeito. O coronel Von Stauffenberg tenta inúmeras vezes levar a cabo a sua missão, mas o momento certo nunca surge, uma vez que é raro os líderes do partido estarem todos juntos numa mesma sala. Finalmente, em 20 de Julho de 1944, a ocasião proporciona-se. Os altos comandos reúnem-seno Quartel-General de Hitler, sediado perto de Rastenburgo. Von Stauffenberg leva uma pasta com um explosivo inglês, que se activa através deum detonador silencioso. É a oportunidade perfeita. Von Sauffengerg senta-se perto do ditador e só lhe resta esperar pelo momento certo.»

Descobri o autor através deste livro e fiquei fã! Muito bem escrito, numa linguagem acessível a todos.

foi isto almeirim

"Foi Isto Almeirim" (Ulisses Pina Ferreira)
“Foi Isto Almeirim”
(Ulisses Pina Ferreira)

Fez, na passada quinta-feira, 10 anos que foi apresentado ao público o livro “Foi Isto Almeirim”, da autoria de Ulisses Pina Ferreira. Recordo aqui o que escrevi em 2006 sobre esta edição, cujas receitas revertem inteiramente a favor do CRIAL – Centro de Recuperação Infantil de Almeirim.

«No dia 23 de Outubro de 2004, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, procedeu-se ao lançamento do livro “Foi Isto Almeirim”, da autoria do almeirinense Ulisses Pina Ferreira.

Esta livro retrata a vida dos almeirinenses nas décadas de 30, 40 e 50. Descreve, sucintamente, a criação de várias associações do concelho: a Banda Marcial de Almeirim, o União Futebol Clube de Almeirim, a Associação dos Bombeiros Voluntários.

Talvez pelo facto do autor ter vivido na primeira pessoa a criação do Cine-Teatro de Almeirim, deixa-nos uma descrição pormenorizada dos espectáculos ali realizados, bem como das peças de teatro amador, protagonizadas por pessoas de Almeirim, em diversas “salas” da então Vila.

O livro versa ainda sobre o “Fazendeiro de Almeirim”, “A Vinha”, “As Vindimas”, “O Vinho” e, como não poderia deixar de ser, “As Praças de Toiros” e “Os Cavaleiros Tauromáquicos”.

Mais do que a ocupação do tempo livre do autor, na génese deste livro esteve a ajuda a uma instituição do concelho de Almeirim, o CRIAL – Centro de Recuperação Infantil de Almeirim. A Câmara Municipal associou-se à edição deste trabalho, custeando na íntegra a mesma pelo que, o valor de compra deste livro reverte inteiramente para aquela Instituição Particular de Solidariedade Social, como nos refere Ulisses Pina Ferreira na Nota do Autor:

«O CRIAL – Centro de Recuperação Infantil de Almeirim é uma instituição particular de solidariedade social e, como tal, deve merecer dos almeirinenses o maior carinho e apoio financeiro.

A instituição não tem rendimento próprios. Vive exclusivamente de subsídios estatais e autárquicos e de donativos particulares. Conta com um activo de 52 utentes, distribuídos pelas valências Escola e CAO – Centro de Apoio Ocupacional.

Ao escrever o “Foi Isto Almeirim” não tinha a mínima intenção de usufruir um cêntimo que fosse, até porque, em princípio, a finalidade era a ocupação do tempo e da mente.

Quando começou a ganhar forma, e incentivado pela família e por pessoas amigas, juntei os textos e verifiquei que era possível a publicação de um livro sobre o quotidiano de Almeirim no passado. Assim nasceu o “Foi Isto Almeirim”, e sem ter a mais pequena dúvida, ofereci ao CRIAL os textos que agora se publicam e que passam a ser sua propriedade.»

De referir que o livro se encontra à venda nas papelarias de Almeirim e no CRIAL pelo preço de 15 euros.»